.......Trabalho Realizado
Mauro Sileno Saraiva Leão
.....A região amazônica sempre foi mais conhecida por suas lendas, histórias e fantasias, que pela própria realidade. Generalizou-se conceitos e idéias para uma área de mais de 4.000.000 km2. Difundiu-se imagem de uma atraente e misteriosa região, enaltecida e disputada como celeiro do mundo e inferno verde. A famosa hileia de Humbolt comporta na verdade uma extraordinaria diversidade de fisionomias em toda a sua extensão.
Neste imenso “Continente Verde” observamos a presença de planícies, planaltos a diversos níveis, áreas instáveis em oposição a áreas estáveis, atapetados por solos dos mais diferentes tipos, desde os mais ácidos aos de alta potencialidade. Os solos da Amazônia, influenciados por um grande número de tipos de clima, favoreceu o desenvolvimento de fisionomias vegetais, altamente complexas e diversificadas em seus variados ecossistemas florestais, de cerrados, de formações pioneiras, áreas de tensão ecológica, etc... todas estas paisagens assentando-se uma geologia ainda por se descobrir seus depósitos minerais, tão bem guardados.
Sua complexa rede de drenagem participa ativamente deste dinâmico intercâmbio entre as forças da natureza, como causa e efeito de variados fenômenos.
A criação do Projeto RADAMBRASIL em 1970 objetiva a atualização e sistematização dos dados a respeito da Amazônia Brasileira com a finalidade de orientar de maneira mais racional sua ocupação e exploração.
Por esta época já tinha sido desenvolvido o sistema de radar de visada lateral que, entre outras vantagens, apresentava a capacidade de penetração em nuvens e chuvas finas que sempre se constituíram em entraves à aquisição de fotos aéreas de extensas áreas da Região Amazônica.
Aprovada a escolha desse sistema, tiveram início os vôos de recobrimento em julho de 1971 e ao final de 1978 já se terão publicados 18 volumes em 117 mapas temáticos na escala de 1:1.000.000 versando sobre geologia, solos, aptidão agrícola, fitoecologia, geomorfologia, uso potencial da terra e subsídios ao planejamento, além de 285 cartas planimétricas e as imagens de radar com faixas estereoscópicas.
A utilização do sensoriamento remoto no mapeamento de Recursos Naturais, em regiões constantemente nubladas, como é o caso da Amazônia, levou os cientistas a adaptar os princípios do Radar a um sistema aplicável a tais levantamentos, denominado de Radar de Visada Lateral.
A partir da década de sessenta, vários recobrimentos radargramétricos de extensão regional foram realizados em países como o Panamá, Venezuela, Colômbia, Equador, Guatemala e Brasil.
Os resultados favoráveis obtidos pelo Projeto RADAM (Radar da Amazônia), no levantamento de Recursos Naturais da Região Norte do Brasil, em uma área de mais de 4.000.000 km2, motivaram a extensão deste Projeto com os mesmos objetivos, para o restante do Brasil, sob a denominação de RADAMBRASIL.
Por conseguinte o território brasileiro dispõe atualmente de total cobertura radargráfica que, conjugado com outros sensores remotos, pode contribuir ainda mais, com valiosas informações no campo dos recursos naturais.
Uma das características principais do sensor é o recobrimento de grandes áreas em curto espaço de tempo, uma vez que é acoplado em uma aeronave “Caravelle”, com velocidade de 700 a 800 km/h, e operado a uma altura de 11.000 m. Por ser um sensor ativo, as imagens podem ser obtidas tanto de dia quanto de noite, e, tendo em vista o seu comprimento de onda, independem da cobertura de nuvens, apenas afetadas quando as mesmas estão eletricamente carregado (cumulus nimbus); ou por precipitações pluviais intensas.
Devido sua visada lateral, há um realce da morfologia do terreno, evidenciando uma gama de texturas topográficas, da mesma maneira que o ensombreamento fornece a noção da terceira dimensão. No entanto, em relevo fortes o grande comprimento das sombras provoca um menor controle no padrão de drenagem e estradas, do mesmo modo que os deslocamentos e distorções de relevo nas feições do terreno se tornam mais evidentes.
A identificação de estradas será sempre possível em regiões com cobertura vegetal, devido ao contraste do comprimento das árvores. Enquanto que em relevos fortes, mesmo com a presença de vegetação, a identificação será prejudicada pela presença de extensas sombras. Com relação à localização de cidades e vilas, será sempre possível, uma vez que edificações e ruas funcionam como refletor de canto, especialmente se houver telhados metálicos.
Em síntese, podemos afirmar que os produtos radargráficos apresentam um realce da morfologia, mostrando uma grande variedade de texturas topográficas e uma restrita gama de tons, na escala do cinza. Portanto, ao se utilizar o máximo daquilo que o sensor fornece, estará sendo obtida suas principais potencialidades, ou seja enfatizando um conjunto de informações de caráter estrutural, tendo por base as texturas topográficas apresentadas, que fornecerá um melhor diagnóstico, na particularização dos tipos litológicos.
No campo da Geologia, apresentamos os parâmetros que devem ser utilizados na Interpretação Radargeológica: Morfologia; Padrões de drenagem e fraturamento; traçado de estruturas planares, lineares e tabulares; Textura topográfica e tonalidade; Relação de resistência com as rochas circundantes; Estilo tectônico; Cobertura de Solos; Cobertura Vegetal; Teor de umidade no terreno; Cobertura laterítica, quando presente.
Quanto aos caracteres radargráficos das estruturas geológicas, faremos uma síntese de suas principais ocorrências.
Estruturas Lineares - Pelas próprias particularidades geométricas deste sensor, as feições lineares são bem realçadas, correspondendo aos cognominados “Lineamentos de Radar”, que são exclusivos deste sensor. Os quais são representados por estruturas planares de mergulho vertical com foliação, xistosidade e clivagem.
Estruturas Planares (Planos “S”) - São evidenciadas pelo acamadamento, foliação, xistosidade e clivagem, havendo uma dificuldade em distinguir a xistosidade da clivagem, em vista de que esta última é gerada por efeitos mecânicos.
Estruturas Tabulares - Ao que se denomina em epígrade, apresentam uma seção transversal mais possante, do que as que chamamos de estruturas lineares, sendo portanto delimitáveis. Podem corresponder a diques ácidos e básicos propriamente ditos, ou então a zonas de silicificação ou cataclasitos e rochas afins.
Estruturas Falhadas - Para o diagnóstico e identificação destas estruturas, necessita-se antes de tudo de uma análise do padrão de fraturamento de uma região. As quais são visualizadas por feições retilíneas, mostrados nos vales, de uma maneira geral, e acompanhando o padrão de drenagem subseqüente, cuja identificação nas imagens de radar é relativamente fácil.
Estruturas Circulares - Pela ambiguidade que pode provocar a identificação destas estruturas, alguns parametros devem ser observados tais como: morfologia geralmente circular, secundariamente ovóide, eliptica ou em forma de oito; relevo quando positivo mostra relação textura/tom díspare das rochas circundantes; padrão de drenagem anular, centrípeto e radial; padrão de fraturamento distinto das encaixantes; truncamento de grandes paraclases; corpos tabulares de conformação circular envolvendo a estrutura; efeito de intrusão nas encaixantes; convergências de 3 ou mais conjuntos de fraturas; anomalia de drenagem.
Estruturas Dobradas - Para a delimitação e identificação destas estruturas torna-se necessário, o traçado de pequenas fraturas, de estruturas lineares e planares, procurando-se nestas últimas determinar o mergulho. Quando isto não for possível, tentar caracterizá-las com Antiformal ou Sinformal, tomando-se por base a morfologia.
As imagens de Radar (SLAR) apresentam vantagens e limitações em termos de aplicabilidade em levantamentos geológicos: excelente para identificação de estruturas planares, lineares, tabulares, dobradas e falhadas; apresenta uma gama de texturas topográficas, que associadas a feições estruturais propriamente ditas, facilita a interpretação litológica; ressalta as feições estruturais do terreno, mesmo quando encobertas por capeamentos de solo; apresenta visão estereoscópica e monoscópica; a rede de drenagem, localização de estradas e cidades ou vilas é sempre possível, desde que não haja extensas sombras; a interpretação estrutural será sempre melhor quando as estruturas forem paralelas a linha de vôo; devido a geometria do sensor, estruturas dobradas, circulares e falhadas poderão ser dúbias em rochas de alto grau de metamorfismo; a delimitação de associações litológicas em rochas sedimentares será tão numerosa quantos forem os desníveis topográficos.
Nas pesquisas geomorfológicas, efetuadas pelo Projeto Radam na Amazônia, o material básico são as imagens de Radar, ou mosaicos, abrangendo 1o de latitude e 1o 30’ de longitude na escala de 1:250.000, no total de aproximadamente 18.000 km2 cada mosaico.
A imagem de radar é um elemento muito rico para o mapeamento, em virtude de não apresentar cobertura de nuvens, ressalta o relevo e tem importantes gradações de tons e texturas. Teoricamente sua capacidade de resolução é de sete metros, mas nem sempre isto é atingido.
Como o levantamento radargramétrico é feito com imageamento lateral na direção leste-oeste em algumas áreas e norte-sul em outras, os relevos que têm direção igual ao recobrimento podem gerar sombras negras, onde se considera a informação como ausente. Nenhum outro produto do levantamento pode sanar esta deficiência. Contudo, estas sombras são muito úteis para definir alguns tipos de lineamentos estruturais, embora do ponto de vista geomorfológico elas só permitam em condições especiais o cálculo da altitude relativa do relevo que originou a sombra. As formas presentes na zona de sombras só podem ser verificadas em emissões de campo. Estradas largas e formas de relevo contínuas podem ser bem acompanhadas e as áreas agrícolas também podem mascarar o relevo, principalmente quando ocorrem pequenas propriedades.
Algumas dessas deficiências podem ser corrigidas com a estereoscopia. Cada mosaico é utilizado com estereoscópio através de faixas de 15’ de longitude e 1o de latitude. Cada faixa cobre aproximadamente 27 m de largura e o recobrimento em estereoscopia é da ordem de 25%. Os eventuais desajustes entre as faixas criam os problemas comuns em estereoscopia, mas sem prejudicar os resultados. A esteresocopia é um recurso a mais do levantamento radargramétrico, sendo utilizada sistematicamente para que não se percam detalhes significativos.
As faixas de diapositivos, os mosaicos e as faixas estereoscópicas formam um conjunto de elementos que se presta adequadamente à interpretação geomorfológica. A vantagem preliminar é a visão de conjunto que se pode obter de uma área muito extensa (18.000 km2) sobre uma Folha que mede aproximadamente 44 x 65 cm.
Os grandes conjuntos estruturais são nitidamente perceptíveis e formas de relevo de grande extensão são acompanhadas sem maiores dificuldades. A drenagem pode ser visualizada de modo preciso e seus padrões são claramente discerníveis. Linhas de ruptura podem ser traçadas, até mesmo aquelas que separam os tipos de leitos de um rio. Foram estes elementos que levaram os mapas geomorfológicos a dividirem, com nitidez, o relevo em partes conservadas, geralmente superfícies de erosão antigas ou relevos estruturais, e relevos dissecados. O contraste entre estes dois tipos é claro quando ambos estão presentes em apenas uma Folha.
Todavia é no campo dos relevos dissecados que a imagem de radar pode oferecer contribuições mais efetivas. Pode-se definir, nestes relevos, um conjunto de colinas até uma dimensão de 250 m de extensão cada uma. Sob vegetação dispersa pode-se chegar até à medição de orientação de dunas ou restingas. Um conjunto de rede de drenagem e interflúvios pode configurar fácies de dissecação onde inferências sobre a morfogênese podem ser tecnicamente controladas. A homogeneidade do imageamento permite a compartimentação do relevo com precisão comparável àquela baseada em curvas de nível.
Antes do advento do Projeto Radambrasil, o que se conhecia de real sobre os solos da Amazonia era bem pouco, fato este prefeitamente justificado pela vastidão de sua área florestada. A penetração na selva, quase sempre impossível, tornava inviável a exploração científica com os meios e métodos até então utilizados. Principalmente pela escassez de rodovias, os estudos pedológicos limitavam-se a uma pequena faixa ligada aos trechos navegáveis dos rios e esses poucos dados eram extrapolados para extensas áreas, o que acarretavam poucas credibilidades desses trabalhos. Com o início dos estudos dos solos da Amazonia pelo Projeto Radambrasil, onde foram utilizadas técnicas e materiais sofisticados de mapeamento (imagens de radar, fotografias aéreas em infra-vermelho, fotografias aéreas multi-espectrais e um sistemático trabalho de campo com o uso de aeronaves) o conhecimento dos solos amazônico foi se ampliando seguidamente, acumulando quantidades e qualidades de informações bastante invejáveis.
Dos mais de 4.000.000 km2 levantados pelo Projeto, apresentamos os principais solos identificados na Amazonia, levando-se em consideração a sua importância tanto sob o ponto de vista econômico e científico, como também pela sua distribuiçào espacial.
Com um percentual de 35%, os Podzolicos Vermelho Amarelo dominam a vasta área amazônica, seguidos dos Latossolos Amarelo, Hidromórficos Gleyzados, Areias Quartzosas Distróficas, Latossolos Vermelho Amarelo, Laterita Hidromórfica, Podzol Hidromórfico, solos Litólicos, Podzolicos Vermelho Amarelo Equivalente Eutrófico, solos Concrecionários Lateríticos, Cambissolo Eutrófico, Terra Roxa Estruturada e Solos de Mangue.
A metodologia empregada nos levantamentos dos solos da Amazonia, baseia-se fundamentalmente nas imagens de Radar e respectivas faixas para estereoscopia, sendo este o material de interpretação e apoio cartográfico. Utiliza-se também fotos multiespectrais, mas são as imagens de radar que oferecem grande realce dos padrões fisiográficos da área, pricipalmente relevo, drenagem e cobertura vegetal, permitindo, à vista desarmada, apreciável noção de conjunto.
A interpretação preliminar que origina o delineamento das unidades morfológicas, em termos da uniformidade de relevo, geologia e vegetação é processada sobre os mosaicos semicontrolados de imagens de radar, na escala 1:250.000, obtidos pelo “Sistema Good Year” de abertura sintética e visada lateral. Após esta interpretação, selecionam-se áreas significativas e nestas são escolhidos os pontos de amostragem dos solos e os caminhamentos para verificação pedológica.
Em consequência da quase ausência de rodovias, a maioria dos pontos de amostragem foram atingidos através de helicópteros ou por meio de barcos, percorrendo os rios nos seus trechos navegáveis. Em certos locais, devido à impossibilidade de verificação no terreno, o mapeamento foi processado por extrapolação, apoiado nas correlações, principalmente de relevo, vegetação, litologia, clima e drenagem.
Após a conclusão dos trabalhos de campo, foi possível estabelecer uma melhor correlação entre imagens, formas de relevo e classes de solo. Posteriormente, procedeu-se a reinterpretação dos mosaicos, delimitando-se com relativa precisão, os ambientes constituintes das unidades de mapeamento.
A utilização do radar de visada lateral no mapeamento da Vegetação, possibilitou o fornecimento de uma base contínua e uniforme, sobre o qual após alguns anos de experiência, foi-se aperfeiçoando uma nova sub-divisão do Sistema Fisionômico Ecológico Brasileiro, adaptada ao sensor e ao nível do mapeamento. Esta sub-divisão procura harmonizar a nomenclatura brasileira com as fisionomias intertropicais adotadas na América, Africa e Ásia por fitogeógrafos de reconhecido saber mundial.
O mapa fitoecológico do Projeto Radambrasil mostra as Regiões Ecológicas, considerados como fundamento do sistema fisionômico brasileiro e que correspondem aos domínios florísticos e, os ecossistemas integrados em sub-regiões econômicas.
Este modo de mapear a cobertura vegetal do Brasil é original, porque o mapa mostra, através de variação da biomassa, o potencial econômico das áreas levantadas sem, contudo, perder seu vínculo fitogeográfico.
Utilizando-se as Folhas de imagem de Radar na escala de 1:1.000.000, temos uma visão geral da área, e estas recobrem áreas com 6o no sentido dos meridianos e 4o no sentido dos paralelos, abrangendo cerca de 288.000 km2.
A interpretação preliminar é feita nas Folhas de 1:250.000 das imagens de Radar, auxiliada por faixas para estereoscopia. Se utilizam também sensores auxiliares, como fotos infravermelho na escala de 1:130.000 e fotos multiespectrais na escala de 1:72.000.
Concluindo a interpretação preliminar, são identificados os ambientes a serem visitados. Os trabalhos de campo e sobrevôos são feitos em número suficiente para esclarecer as dúvidas da interpretação preliminar.
Com os dados colhidos, a interpretação preliminar sofre os ajustes necessários para ser considerada como interpretação definitiva ou final.
Após a redução e montagem das Folhas de 1:250.000, é feito o mapa fitoecológico e com os dados de campo, auxiliados pela bibliografia, o relatório final.
A observância das etapas da metodologia, em especial as operações de campo e sobrevôo, possibilitou o estabelecimento de padrões de imagem, necessários para as extrapolações.
Apesar do radar ser um sensor monocromático, a diferença observada entre padrões de imagem de Regiões Ecológicas diferentes, notadamente entre as Regiões de Floresta Ombrófila, Floresta Estacional, Savana e área das Formações Pioneiras, é facilmente percebida, mesmo à distância.
A variação do tom e de textura dentro de cada um destes padrões, reflete as várias fisionomias encontradas em cada região.
Na Amazônia brasileira foram constatadas as seguintes Regiões Ecológicas: Savana, Savana-Estépica, Estepe, Campinarana, Floresta Ombrófila Densa Tropical, Floresta Ombrófila Aberta Tropical e Floresta Estacional Semidecidual Tropical, além das áreas das Formações Pioneiras, de Tensão Ecológica e de Ação Antrópica.
Visando contribuir para o conhecimento das potencialidades da Amazônia e assim possibilitar uma exploração disciplinada de seus recursos naturais, a Divisão de Uso Potencial da Terra, executa um trabalho de grande valia dentro do Projeto Radambrasil.
Identificadas as unidades de solo e o bioclima, como também definida a morfologia da área, a cobertura vegetal e com base nos mapas planimétricos realizados pelo Proejto, visa a Divisão de Uso Potencial da Terra a uma avaliação da Capacidade Média de Uso da Terra, através da interação desses fatores, ou seja avaliar a potencialidade natural de uma determinada área.
Para esta avaliação são utilizados os mosaicos semicontrolados de radar na escala 1:250.000, mapas temáticos elaborados pelas demais Divisões do Projeto nas escalas 1:1.000.000 e 1:250.000 e a bibliografia existente.
A metodologia adotada baseou-se na utilização conjunta dos elementos fornecidos pelos mapas e nos demais elementos disponíveis, atendendo as seguintes etapas:
- levantamento e análise da bibliografia;
- identificação das grandes unidades homogêneas, a partir do Mapa Geomorfológico, e do exame das imagens de radar, complementados por elementos dos Mapas Exploratório de Solos e Bioclimático;
- atribuição de pesos, que variam de zero (0) a um (1) para os fatores: relevo, solo, vegetação e clima a partir de dados dos Mapas Geomorfológico, Exploratório de Solos, Fitoecológico e Bioclimático fornecidos pelas Divisões do Projeto, para cálculo da capacidade natural média do uso da terra e avaliação da Lavoura e Criação de Gado em Pasto Plantado e Criação de Gado em Pastos Naturais. Para as atividades de Exploração de Madeira e Extrativismo Vegetal, a classificação é feita com base nos trabalhos da Divisão de Vegetação do Projeto Radambrasil, isto é, a partir dos inventários florestais, complementados por dados estatísticos, no caso dos produtos de origem extrativa vegetal considerados para as áreas em estudo;
multiplicação sucessiva dos pesos atribuídos aqueles fatores, segundo critério combinatório probabilístico, obtendo-se então os valores que irão permitir a classificação das áreas, segundo a sua capacidade material do uso da terra. O valor unitário representará as ótimas condições de todos os fatores, para as atividades consideradas, apesar de que as avaliações feitas até hoje revelaram possibilidade remota da ocorrência de valores acima de 0,85. Esse procedimento permite também que sejam identificados quais os fatores restritivos às condições agropecuárias;
- trabalhos de campo que incluem sobrevôo, percursos terrestres e fluviais, visando a aferição dos pesos adotados e do conhecimento da realidade regional em termos das atividades de produção.
Condições particulares de relevo, solo, ação antrópica etc. definem áreas de capacidade natural reduzida, cabendo, então, um planejamento da sua utilização, compatível com suas peculiaridades e num esquema de feição conservacionista.
Em algumas áreas, a capacidade natural elevada para o desenvolvimento de uma determinada atividade pode criar condições que conduzam ao desequilíbrio do ecossistema. Exemplificando, uma área com elevado potencial madeireiro em solos de baixa fertilidade, com declives acentuados e em climas de elevada pluviosidade, deverá merecer estudos especiais que indiquem o manejo adequado, pois, nesse caso, uma derrubada indiscriminada fatalmente levaria ao desenvolvimento de processos erosivos de grande intensidade.
Áreas de condições de drenagem e regimes especiais de inundação também deverão ser, previamente, analisadas como condição indispensável ao seu aproveitamento.
A situação nacional atual se caracteriza por uma necessidade crescente de fontes racionalizadas de produção e extração, de modo que o excedente exportável venha proporcionar, no futuro, um equilíbrio na balança de pagamentos, hoje totalmente distorcida pela crise mundial do petróleo. Por sua vêz, a conjutura mundial está condicionada a uma demanda, em contínuo crescimento, de madeira e seus derivados, em decorrência do aumento populacional e pelo eminente esgotamento das fontes produtivas tradicionais, ou seja, da África e do Sudeste Asiático. A ocorrência desses dois fatores está determinando uma corrida dos países importadores para a América Latina, principalmente para a Amazônia, onde se localiza a última grande reserva de madeira tropical do globo.
Complementando as informações técnicas, é apresentado um diagnóstico Sócio-Econômico de cada área estudada a partir do volume 10, fornecendo informações do nível sócio-econômico e da infra-estrutura de apoio de que poderão dispor, aqueles que tiverem interesse na Região.
Levantamento dos dados e informações é feito a nível de município. Um questionário com cerca de 150 perguntas foi submetido, em entrevistas, aos prefeitos, dirigentes de órgãos oficiais, técnicos que prestam assitência aos produtores e, excepcionalmente, a fazendeiros, comerciantes e industriais, estabelecidos há muitos anos na área. As respostas, obtidas nas entrevistas, são posteriormente agregadas às informações encontradas na bibliografia disponível.
Baseado nas informações fornecidas pelos trabalhos da Capacidade Natural de Uso da Terra e do Diagnóstico Sócio-Econômico e nas informações complementares é feito o trabalho de Subsídios ao Planejamento Regional que tem por finalidade caracterizar áreas possíveis de serem ocupadas a médio e curto prazos.
Foram consideradas áreas padrões que deverão refletir as suas condições naturais para ocupação econômica. Cinco áreas foram padronizadas dentro da viabilidade que o estudo se propõe a apresentar, e que devem refletir a interação das condições naturais responsáveis pela utilização das terras.
Assim sendo o trabalho realizado pela Divisão de Uso Potencial da Terra é uma síntese dos trabalhos realizados pelas demais Divisões do Projeto e visa a fornecer subsídios aos que pretendam se estabelecer, planejar ou incrementar o desenvolvimento da Região Amazônica .
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