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.......Histórico

Ailton Antônio Baptista de Oliveira

 

.....Em 1965, como resultado de uma estreita associação entre a NASA e a CNAE - Comissão Nacional de Atividades Espaciais, foi iniciado no Brasil um programa para a implementação de pesquisas no campo da aplicação do sensoriamento remoto para levantamentos de recursos naturais. Em 1966 a NASA sugeriu um programa de cooperação envolvendo o levantamento aéreo de áreas selecionadas que seriam usadas como similares às da Lua. A idéia inicial foi depois modificada para um amplo programa de sensoriamento remoto de recursos naturais. Ao longo de um ano um grupo de trabalho, coordenado pela CNAE e composto por membros de 24 diferentes agências governamentais, elaborou as políticas a serem adotadas no referido programa. Após uma visita aos EUA, patrocinada pela NASA e pela CNAE, realizada em meados de 1967 por 12 pessoas do grupo de trabalho, iniciou-se em 1968 a fase de treinamento visando a qualificação de recursos humanos. Durante seis meses um grupo de pesquisadores brasileiros foi treinado pela NASA nos EUA e ao retornarem ao Brasil treinaram outras 40 pessoas. A partir deste tronco comum foram desenvolvidas duas diferentes, porém complementares, ações ao nível do Governo Brasileiro: o Projeto RADAM (Radar na Amazônia) e o Programa de Sensoriamento Remoto por Satélite. O Projeto RADAM, criado em 1970 no âmbito do Ministério das Minas e Energia, foi inicialmente concebido para realizar o levantamento integrado de recursos naturais de uma área de 1.500.000 km2 localizada na faixa de influência da rodovia Transamazônica, utilizando como sensor o Radar de Visada Lateral, conhecido pela sigla SLAR (Side Looking Airborne Radar). Este instrumento foi selecionado entre os diversos sensores remotos existentes por superar as dificuldades de se conseguir um imageamento homogêneo e a impossibilidade física de tomadas de cenas de boa qualidade, uma vez que a incidência de nuvens e a precipitação pluviométrica intermitente na Região Amazônica apresentavam-se como fatores restritivos à obtenção de fotografias aéreas convencionais. Pelo sucesso do método utilizado e pela qualidade das respostas obtidas, a área original do RADAM foi sendo gradativamente ampliada para toda a Amazônia Legal, numa primeira etapa, até atingir em 1975 a totalidade do território brasileiro, quando passou a se denominar Projeto RADAMBRASIL, tornando-se o maior projeto mundial de cobertura radargramétrica efetuada com radar aerotransportado. A partir da interpretação de 551 mosaicos semicontrolados de radar na escala 1:250.000, um intenso e profícuo trabalho de mapeamento foi desenvolvido por uma equipe composta por cerca de 702 profissionais, sendo 306 técnicos de mapeamento de nível superior e aproximadamente 396 técnicos de nível superior e médio das áreas de apoio técnico, administrativo e logística. Como principal resultado foram produzidos, dentre outros, 38 volumes da série "Levantamento de Recursos Naturais", estando 4 deles até hoje inéditos, acompanhados dos respectivos mapas temáticos na escala 1:1.000.000 sobre geologia, geomorfologia (relevo), pedologia (solos), vegetação e uso potencial da terra. Além do mapeamento integrado de recursos naturais de todo o território nacional, foram elaborados os mapeamentos Metalogenético Previsional e do Potencial dos Recursos Hídricos de grande parte da Região Nordeste. E, ainda, no campo da cartografia, foram produzidas 275 cartas planimétricas para uma área de 4.300.210 km2 da Amazônia Legal, além de 551 originais cartográficos de todo o território nacional e 132 cartas-imagem de radar de diversas regiões, todos na escala 1:250.000. Por força do Decreto n° 91.295, de 31/05/85, tanto o acervo de dados gerados pelo RADAMBRASIL como a totalidade de seus especialistas nas mais diversas áreas das geociências foram transferidos e incorporados ao IBGE, onde, na sua maior parte, continuam até hoje a desenvolver estudos e pesquisas nas áreas de recursos naturais, meio ambiente e cartografia.

Fontes Bibliográficas:

1 Ministério das Minas e Energia. Projeto RADAMBRASIL. Realizações. 1984, 82p.

2 Silva, D.A.; Vasquez, G.A. - O Projeto SERE. Origem do Sensoriamento Remoto no Brasil. INPE, São José dos Campos, 1994, 17

Rio de Janeiro, 17 de maio de 1999


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